Eu, uma partícula de mim mesmo
Liquidificado em sangue e pus
Revestido de carne e tecidos
Com fome de ser apenas o ser.
O sistema nervoso, as ondas elétricas
Imagens que se formam nos olhos
Neurotransmissores de estímulos
Das visões de natureza morta.
Tu, um mero reflexo do eu
Membros superiores e inferiores
Ligados por nervos e músculos,
Mais um perecível organismo vivo.
Membrana, citoplasma e núcleo
Compõem a existência física do que somos
Atrelados a subjetividade da mente
E suas incansáveis armadilhas.
Nós, um amontoado de células proletárias
Vivendo subordinados ao alimento
Que sob a terra, entre os vermes famintos
Apodreceremos como mais um cadáver.
Poema dedicado ao grandioso poeta das galerias fétidas da vida, Augusto dos Anjos.




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