domingo, 29 de setembro de 2013

Depois de tudo... A suavidade da água Contornonando os corpos Em carícias hídricas, Um balbuciar de palavras vagarosas Ainda em êxtase e contentamento Pela entrega completa Cheiro nos lençóis Desejo nos olhares Assim, na inocência do instante... Dai Pinheiro

quarta-feira, 18 de setembro de 2013


Caminhávamos distantes...
Eu e meu cigarro
Perdidos na noite profana
Irritando os nobres ares
Entorpecidos na angústia.

O debater das cinzas formadas
Nos dedos trêmulos queimados
Pela suavidade de mais um trago,
Nobres venenos gustativos
Sedativos mentais, nocivos...

Olhares e sensações
Envaidecidos na loucura
Compondo a máscara das insanidades
Observada com horror frustrante
Pelos não adeptos do hábito.

Chega-se o fim!
O filtro, o fogo a última fumaça...
O companheiro se despede ao chão
Saltando da mão fria em despedida
Apagando-se solitário na calçada.

Dai Pinheiro



Escrevi um poema inteiro
Naquelas costas nuas
O nosso suor lambeu cada letra
Manchou os lençóis com gotas de lirismo
Fundidas na tinta da caneta
Reescrevendo o êxtase, a emoção...
Entorpecida por mais um gozo
Abria aquele farto sorriso de volúpia
Com as carnes trêmulas e a respiração ofegante
Descansou adormecida nos meus braços.


Dai Pinheiro


A vida queimava devagar
Enrolada com perfeição
Nas entranhas de um baseado,
Os olhos enxergavam turvos
O rio caudaloso e sujo
D’uma cidade provinciana...
A morte veio súbita e fria
Através das espirais
Do fio do telefone,
Tudo enevoado
Tudo sem sentido óbvio
Os joelhos rotos sobre o chão
A face trêmula
A boca sem balbuciar uma palavra...
Gritos silenciosos, batidas na porta
A cama totalmente percorrida
Ele acordou do sonho
E materializou em poesia.


Dai Pinheiro



Nos sonhos surgia de branco
Madeixas louras
E aqueles profundos olhos claros,
Parecia levitar com os pés descalços
Sobre a areia fina da praia...
Os grãos de areia rodopiavam com o vento
Pareciam espectros apaixonados
Cortejando aquelas formas
Com beijos pueris e lascivos.
O sol empalideceu o dia
E levou consigo aquele sonho
Deixando nos lençóis o cheiro
E na boca, todos os sabores daquele corpo
Onde fluíram todos os desejos possíveis

Em meio a madrugada...

Dai Pinheiro

In memoriam, Ray Manzarek tecladista da banda The Doors.


Das teclas emanavam sons
De mãos suaves, entorpecidas...
Sentado e cabisbaixo
Meditava tranquilo
O cavaleiro da tempestade.

Eis que as portas se abrem
No céu, uma única lua
Um blues ácido repentino
Soa entre uivos afoitos
Dos coiotes noturnos no cio.

Dai Pinheiro



Certo como o fogo de Hefesto,
Sua bigorna barulhenta
Atingida pelos golpes certeiros
Do martelo frenético em êxtase
Violentando os meus tímpanos
Em um sono que não chegava.
Vagava na cama fria,
Tingindo os lençóis com o suor
Da febre de amor
Do gozo adiado...
O vento assoviava canções
Mas, pareciam sussurros desejosos
D’uma voz distante, difusa...
Eras tu, me convidando em sonho,
Para cear em teu corpo.


Dai Pinheiro