Partia para o quarto,
Ia repousar em mais uma sesta
Depois do almoço...
A porta entreaberta,
Aquele perfume de flor
Pairava até o corredor
E me deparei alí
Vidrado naquele par de inocências
Cruzadas e levemente provocantes
Os pigmentos rubros e vistosos
Tingiam de volúpia a ponta dos dedos
Por onde passeavam os meus lábios
Criando toda aquela cena na minha mente.
Espreitava por vários angulos
Parecia me observar em telepatia
Suspirava, rolava de um lado para outro
Numa inquietude que me fascinava
Tudo se intensificava,
O cheiro de fêmea tingia o ar
Apertava com angústia o travesseiro
Sufocando a música do prazer
Saindo silenciosa pela boca
Até descansar placidamente
Após ter ido aos céus...
Dai Pinheiro


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